O álcool e as mulheres me proporcionam, devo confessar, o único consolo digno. Confio-lhe este segredo, e não tenha receio de valer-se dele. Compreenderá, então, que a verdadeira libertinagem é libertadora, porque não impõe nenhuma obrigação. Na libertinagem só se possui a si próprio; ela permanece, pois, a ocupação perfeita dos grandes apaixonados por sua própria pessoa. É uma selva, sem futuro nem passado, e, sobretudo, sem promessas nem sanção imediata. Os lugares onde ela se exercita são separados do mundo. Deixa-se, ao entrar, tanto o medo quanto a esperança. A conversa não é obrigatória; o que procuram pode ser obtido sem palavras e, muitas vezes, até sem dinheiro. Ah! Eu lhe peço, deixe-me prestar uma especial homenagem às mulheres desconhecidas e esquecidas que me ajudaram. Ainda hoje, mistura-se à lembrança delas algo semelhante a respeito.

Albert Camus


RADIOHEAD - OK COMPUTER - 1997